1889

Tenho a crescente convicção de que a república não vingou.

Penso as vezes que se Floriano Peixoto, Ruy Barbosa e outros pais do levante republicano, vissem o atual estado de coisas a que fomos reduzidos, fariam “penitência” pelo ato revolucionário.

Penitência é algo faltoso no vocabulário, no imaginário e na vida das pessoas modernas. Coisa sensata é essa de ver que se errou e tentar reparar o erro cometido.

Quantas são as ilusões inerentes a nossos sonhos mais sublimes? O quanto nos cegamos quando pensamos ser os iluminados e os iluministas? Quanta dor causamos quando pretendemos ter a cura?

Errar faz parte da caminhada! Só acerta quem considera a possibilidade de errar. Triste, porém, são esses dias em que não se pode falar de erros, pecados, crimes… tudo foi reduzido a um discurso sedutor, arguto e intra-perverso que continua nos incitando a sermos como “Deus”.

Rodrigo

O Brasil de agora-ágora

O Brasil está rachando e já o esteve antes e mesmo assim insistiu em ficar unificado em sua vasta extensão territorial. Mas nossas convicções são mesmo faccionais.

Creio que, no cenário atual, ficar agarrado a uma visão partidarista é cegueira voluntariosa que só atenta contra a nação.

As mídias aquecem os debates inflamados, circulam-se notícias de toda ordem e de vários afetos e desafetos. Frente a tantos ânimos incitados quem pode se manter sensato para ver a realidade?

O Brasil nesse momento precisa de quem ame a pátria e não o partido.

O Brasil nesse momento precisa de quem ame as pessoas e não o povo enquanto massa ideológica.

O Brasil nesse momento precisa de quem ame a verdade e não o discurso.

O Brasil nesse momento precisa de quem ame a justiça e não o justiceiro.

O Brasil nesse momento precisa de quem conheça a história e não as propagandas.

O Brasil nesse momento precisa de quem aprecie o bem e não a manobra.

O Brasil nesse momento precisa de quem se sacrifique ao invés de pedir o sacrifício alheio.

O Brasil não é apenas um balcão de trocas, não pode ser reduzido a um laboratório de experimentos descompromissados, não pode perder sua vocação de nação.

O Brasil precisa deixar de ser terra de exploração de riquezas para ser uma unidade bem configurada em sua esplendida diversidade.

Rodrigo